Estava ali parada no mesmo lugar onde comecei, olhando para
o nada e pensamento nas mesmas coisas, talvez o tempo não seja o mesmo, mas eu sabia que os
sentimentos eram, talvez fosse a mesma musica que escutei a anos atrás e a
mesma roupa, mas a menina feliz e sem maiores problemas tinha ficado para traz
junto com muitas coisas que sinto falta. Sempre penso em mudança e ainda
encarando o nada pensando na vida e como ela se encontrava, cheguei à conclusão
que mudanças não vêm do nada, você não acorda e muda, você não chora e a dor
passa e também não come na esperança de se sentir melhor, mas sim de punir-se
por não conseguir resolver tudo. A minha
mudança e gradual, primeiro deixando para traz tudo que não me serve mais, logo
em seguida esquecendo pessoas que não me acrescentam em nada, e assim vou me
redescobrindo ate o ponto de estar preparada para a mudança de meu exterior.
Ah! O exterior ele que me deixa mais atormentada, mas ainda ali olhando para o
nada, como uma estátua, quase já não tenho mais feridas, somente as angústias
habituais àquelas que só se matasse a neurótica que tem dentro de mim sumiriam.
Levanto-me de onde eu
estava imóvel, abro o blog e leio desde a primeira postagem, nossa como fui ingênua
pensando que seria feliz mudando de peso, como fui boba escondendo todos esses
anos essas angustias que tanto me sufocaram e por muitas vezes e atrapalharam
minha vida. Hoje já quase uma mulher (daqui
menos de três meses faço 18 anos) com opinião e caráter formados me arrependo
amargamente de não ter chorado e ido correndo para minha mãe quando miei pela
primeira vez.
Agora é tarde de
mais, minha mãe viu fotos no celular de umas thinspo e fotos de dietas, já sabe
de minhas neuras e só lhe falta me pegar miando para ter certeza, sinceramente ?
Não me importa que descubra, tiraria esse peso de mim.
Enquanto não acho uma
saída para isso, continuo com minha rotina.